Seguidores

sábado, 5 de abril de 2008

MENSAGEM


"Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos
braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora
batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque
estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite
com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer
isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem
se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de
mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou
nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo
demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse
ficar comigo um pouco — em lugar de voltar logo à sua vida,
não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou sua
culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles,
o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o
amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas
sem fazer alarde nem dizendo "Olha que estou tendo muita
paciência com você!"
Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua,
nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta
necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe
pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada
diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me
ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro
não venha logo atrás de mim reclamando: "Mas que chateação
essa sua mania, volta pra cama!"
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não
comente logo: "Pôxa, mais um?"
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e
perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me
admire.
Que o outro — filho, amigo, amante, marido — não me
considere sempre disponível, sempre necessariamente
compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser
nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me
esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas
apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa,
assustada e audaciosa — uma mulher."

(Texto da Lya Luft)

Nenhum comentário: